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PIB brasileiro deve crescer 2% em 2023, segundo CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) decidiu manter sua estimativa de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil ao longo deste ano. As informações foram apresentadas no Informe Conjuntural do segundo trimestre, divulgado nesta quarta-feira, 22 de julho. Este crescimento deve ser liderado principalmente pela indústria extrativa e pelo setor agropecuário, além de um avanço moderado nos serviços.

Desafios Econômicos

A CNI alerta que, embora alguns setores estejam em expansão, diversos desafios podem limitar um crescimento econômico mais robusto. Entre os principais estão as taxas de juros elevadas, a inflação persistente e os custos de produção em ascensão. As crescentes importações também são apontadas como um fator restritivo.

Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI, destaca que a política monetária restritiva e as fragilidades nas contas públicas são barreiras para um crescimento mais acelerado da economia. A dependência de setores ligados às commodities e dos estímulos à demanda são os principais suportes do crescimento atual.

Inflação e Cenário Fiscal

Quanto à inflação, a CNI atualizou sua projeção, agora prevendo uma alta de 5% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em comparação aos 4,4% estimados anteriormente. A crescente pressão vem dos custos com alimentos, combustíveis e serviços.

No cenário fiscal, mesmo com uma expectativa de aumento na arrecadação, os gastos públicos elevados devem manter as contas do governo em déficit, com um saldo negativo projetado em R$ 55,3 bilhões, elevando o endividamento público para 82% do PIB.

Desempenho da Indústria e Agro

A produção industrial também tem perspectivas de melhora, com a previsão agora sendo de um crescimento de 2,1%, puxado pelo setor de indústria extrativa, que deve crescer 9,1%. Na indústria de transformação, os desafios são maiores, mas a projeção de crescimento subiu de 0,3% para 0,6%.

No setor agropecuário, a expectativa de uma nova safra recorde, sobretudo de soja, e um aumento na produção animal levaram à revisão para cima, com previsão de crescimento de 1,8%. Mesmo em face do aumento dos custos de insumos devido a conflitos no Oriente Médio, o setor deve superar as expectativas iniciais.

Previsões de Juros e Cenário Internacional

A CNI ajustou suas expectativas para a taxa básica de juros, a Selic. Agora, são esperados apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual em 2026, com a taxa terminando o ano em 13,75% ao ano. A persistência de uma política monetária restritiva deve se manter ao longo do ano.

No âmbito internacional, o conflito no Oriente Médio é apontado como uma preocupação persistente, especialmente devido ao impacto nos custos de energia e fertilizantes. No comércio exterior, o aumento das importações de bens de consumo, que subiram 16% no primeiro semestre, contrasta com um superávit comercial projetado em US$ 77,9 bilhões.

Por fim, qualquer alteração nas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros poderá alterar esse cenário e impactar negativamente as exportações brasileiras.