O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana com estabilidade para o dólar e queda significativa para a bolsa de valores, influenciada principalmente pela movimentação nos preços do petróleo. Na sexta-feira, 24 de julho de 2026, o câmbio ficou praticamente inalterado, finalizando a semana com uma discreta valorização, enquanto o Ibovespa sofreu uma desvalorização expressiva de mais de 1,5%. As repercussões das novas tarifas comerciais dos Estados Unidos e a situação no Oriente Médio foram fatores determinantes para este cenário.
Câmbio
O dólar comercial teve um fechamento próximo da estabilidade, a R$ 5,081, com uma leve queda de 0,06% no dia. Durante a sessão, a moeda variou entre a mínima de R$ 5,04 e a abertura de R$ 5,09. Os investidores estavam atentos às novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, que variam entre 10% e 12,5%, afetando 60 países, inclusive o Brasil. Além disso, a possível retomada das negociações entre os EUA e o Irã, intermediadas por Paquistão e China, trouxe grande movimentação ao mercado.
O real conseguiu se destacar frente a outras moedas de mercados emergentes, sendo beneficiado pelo fato de ser um país exportador líquido de petróleo e pela diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos, que atrai aplicadores internacionais. Com isso, o índice DXY, que avalia o desempenho do dólar em relação a uma cesta de divisas fortes, permaneceu praticamente estável.
Ibovespa recua
No segmento de ações, o Ibovespa caiu 1,52%, terminando a sessão em 174.041 pontos. Embora o índice tenha caído no dia, ele conseguiu acumular um ligeiro ganho de 0,19% ao longo da semana. A desvalorização do petróleo influenciou as companhias petrolíferas, que realizaram vendas para garantir lucros. Mineradoras também acompanharam o declínio do minério de ferro, enquanto grandes bancos sofreram com a redução do fluxo de recursos estrangeiros para os mercados emergentes.
Esses acontecimentos se desenrolam em meio à atenção redobrada sobre as tarifas comerciais impostas pelos EUA ao Brasil. Embora já tivessem sido anunciadas, os efeitos dessas tarifas já começavam a aparecer nas movimentações do mercado acionário.
Petróleo recua
O petróleo registrou uma queda nos preços, após atingir um patamar superior a US$ 100 por barril ainda na quinta-feira, 23 de julho. O preço do petróleo tipo Brent, que é referência para a Petrobras, encerrou a sexta-feira em US$ 96,78, representando uma retração de 3,88%. O petróleo WTI, do Texas, caiu 3,12%, chegando a US$ 89,31 por barril.
A queda foi causada pelas notícias de que a China está mediando o reestabelecimento de negociações entre os EUA e o Irã, o que pode diminuir as tensões na região do Oriente Médio. Contudo, o mercado continua alerta quanto ao risco para a oferta global, uma vez que os conflitos entre EUA e Irã e a interferência dos houthis no Mar Vermelho ainda representam ameaças às rotas de transporte de energia.
