No último domingo, 26 de julho de 2026, milhares de mulheres negras se uniram em uma marcha em Copacabana, no Rio de Janeiro. O evento teve como objetivo defender a democracia, combater o racismo, buscar reparações e promover o bem-viver. A 12ª Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro foi organizada para exigir políticas públicas que enfrentem as desigualdades e o racismo, buscando justiça social e condições de vida dignas para a população negra.
Comemoração e Memória
A marcha aconteceu logo após a celebração do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, comemorados no dia anterior, 25 de julho. Clátia Vieira, coordenadora do Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, destacou a importância do conceito de bem-viver como objetivo, ressaltando que sua concretização depende de medidas de reparação.
A marcha também foi uma plataforma para lembrar a luta da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. Sua mãe, Marinete Silva, marcou presença no evento e enfatizou a importância da participação política das mulheres, algo que Marielle sempre defendeu.
Família e História
Bárbara Carine, uma educadora, participou do evento com sua família, afirmando a importância de engajar as crianças em atividades de mobilização social. Ela destacou que a marcha não apenas reflete sobre avanços históricos, mas principalmente olha para um futuro onde o bem-viver seja uma realidade.
Durante o evento, apresentações artísticas de grupos como Afrolaje, Angoleiras e Obara Ylê de Ouro ocorreram entre as falas políticas, celebrando a ancestralidade e a resistência cultural negra. O casal Cinthia Garcia e Laísse Santos, que trabalha com afroturismo em Maricá, acentuou a importância do pertencimento e do combate ao apagamento histórico da contribuição negra para o desenvolvimento do país.
Questões Estruturais
Entre as falas de Clátia Vieira e outras lideranças, foi abordada a necessidade de se colocar o racismo como uma questão estrutural e como ele se conecta com o capitalismo, acarretando consequências graves para as mulheres negras, como desemprego e instabilidade socioeconômica. Para elas, promover a escuta e dar voz a essas mulheres são etapas fundamentais nesse processo.
Cinthia Garcia destacou que, além de resistir ao racismo, é crucial recuperar histórias invisibilizadas e valorizar a verdadeira contribuição da população negra na construção do Brasil. A presença de símbolos e elementos culturais, como cabelos e turbantes, foi sublinhada como parte do orgulho e da identidade de resistência dos manifestantes.
O evento reafirmou, assim, a urgência de políticas eficazes que reconheçam e combatam as desigualdades raciais históricas do Brasil. O movimento das Mulheres Negras se mostra cada vez mais ativo e necessário para promover mudanças sociais significativas no país.
