O inverno traz um aumento significativo nos desafios enfrentados por pessoas com asma. A combinação de temperaturas mais frias, a elevação de viroses e o uso de roupas e cobertores que estavam guardados pode resultar em crises respiratórias, afetando principalmente crianças e adolescentes. Para evitar a piora dos sintomas, é crucial manter um tratamento contínuo que controle a inflamação das vias aéreas.
Importância do tratamento contínuo
Emilio Pizzichini, coordenador da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), enfatiza que o aumento das crises asmáticas não é apenas causado pela queda da temperatura. A maior preocupação está relacionada à maior circulação de vírus no ambiente, que se intensifica durante o inverno. Infecções podem agravar casos de asma que não estão devidamente controlados, tornando essencial a gestão eficaz da doença, de forma mensal.
De acordo com Pizzichini, aproximadamente 20 milhões de asmáticos no Brasil enfrentam anualmente de uma a duas infecções respiratórias. A escassez de especialistas em saúde respiratória leva a muitos pacientes a não recebam o tratamento adequado, o que pode resultar em sérios problemas. O início do tratamento e a vacinação, como as de Influenza, Covid e Vírus Sincicial Respiratório (VSR), são medidas que podem prevenir infecções mais graves.
Dados alarmantes sobre internações
Uma pesquisa do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) analisada pela organização Umane revelou que 70,5% das internações por asma em julho de 2024 foram de crianças e adolescentes com idades entre 0 e 14 anos. Foram registradas 4.034 internações naquele mês, representando um aumento considerável em comparação a janeiro, que teve 2.108 registros. Ao longo do ano, o Brasil contabilizou 52.087 internações relacionadas à asma, com a faixa etária de 0 a 14 anos correspondendo a 73,7% do total.
A pneumologista Marcela Marques destaca a necessidade de um ambiente saudável dentro de casa. Fatores como boa ventilação, exposição à luz solar e limpeza regular são cruciais para evitar crises. Ela sugere evitar o acúmulo de objetos, principalmente nos quartos das crianças, e prefere edredons a cobertores. Para limpeza, recomenda o uso de pano úmido para minimizar a dispersão de poeira.
Práticas preventivas e cuidados adicionais
É igualmente fundamental reduzir a exposição à fumaça de cigarro, já que o tabagismo passivo apresenta um grande risco para pacientes asmáticos. Aqueles que convivem com asmáticos devem evitar fumar perto deles. O tratamento e a prevenção adequados devem começar imediatamente após a primeira internação para reduzir o risco de novas crises no futuro.
Segundo a pneumologista, orientações sobre os fatores que podem causar crises asmáticas são essenciais para um bom manejo da doença. Quando a família compreende como agir durante uma crise, é possível evitar idas frequentes ao pronto-socorro.
Aglomerações e o aumento de infecções
Com as temperaturas mais frias, tende a haver um aumento de reuniões em ambientes fechados, o que facilita a disseminação de vírus e provoca um crescimento nas crises asmáticas. O alergista e imunologista Pedro Giavina-Bianchi salienta que o distanciamento social, embora amplamente discutido durante a pandemia de Covid-19, continua sendo relevante para prevenir infecções respiratórias. Ele recomenda que asmáticos evitem o convívio próximo a pessoas resfriadas e tomem as vacinas adequadas, como a pneumocócica.
A educação sobre asma, seus gatilhos e a implementação de medidas simples de prevenção podem aprimorar a qualidade de vida daqueles que sofrem dessa condição, especialmente em períodos críticos.
