A campanha Setembro Verde destaca a importância da doação de órgãos e, muitas vezes, algumas informações fundamentais passam despercebidas pela população. Nessa perspectiva, uma questão que pode surpreender muitos é que idosos também podem ser doadores vivos de órgãos. O caso de Arivaldo Sampaio, que aos 69 anos tornou-se doador para o próprio filho, é um exemplo inspirador sobre como a compatibilidade e a saúde do doador são mais determinantes do que a idade em si.
Critérios para doação
A doação de órgãos entre vivos no Brasil segue diretrizes cuidadosas que garantem tanto a saúde do doador quanto a do receptor. Segundo o Ministério da Saúde, é possível doar, em vida, um dos rins, parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões. Além disso, a compatibilidade sanguínea é um requisito primordial em todos esses procedimentos. Para que a doação ocorra, é necessário que o médico realize uma avaliação completa do histórico clínico do doador, além de rastrear eventuais doenças prévias.
O próprio Arivaldo expressou alívio por sua compatibilidade total com o filho, sentindo-se gratificado ao saber que seu rim estava apto para a doação após uma bateria de exames médicos. “Foi um momento de graça divina”, afirmou ele à Agência Brasil.
Procedimento e recuperação
Uma vez confirmado como doador, Arivaldo passou pelo procedimento cirúrgico e destacou a qualidade da sua recuperação, que foi assistida por uma equipe dedicada e altamente qualificada no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Ele enfatizou a importância do cuidado pessoal e relatou que se mantém ativo fisicamente, realizando exercícios cinco vezes por semana.
A experiência de Arivaldo ilustra um ponto crucial no cuidado com a saúde ao longo da vida, algo que ele sempre reforçou em sua carreira de professor de educação física: “Nossa velhice é consequência do que fazemos no dia a dia”.
Legislação e cuidado médico
A legislação brasileira permite a doação de órgãos de doadores vivos para parentes de até o quarto grau e cônjuges sem autorização judicial. Para doações entre indivíduos fora desses graus de parentesco, uma autorização judicial é exigida. A avaliação médica rigorosa é essencial, especialmente para doadores acima de 60 anos, pois inclui exames detalhados, como avaliações sanguíneas e cardiovasculares, que medem o impacto de possíveis doenças adquiridas com a idade, como hipertensão e diabetes.
Segundo o nefrologista Geraldo Freitas, essa análise serve para garantir que tanto o receptor quanto o doador vivam de forma saudável após o processo. “Nosso objetivo é garantir que a doação seja segura para quem doa e que o órgão funcione de forma eficaz para quem recebe”, explicou ele, enfatizando que a idade avançada não desqualifica automaticamente um doador.
Com toda essa informação, fica evidente que a participação ativa em campanhas como o Setembro Verde é crucial para conscientizar sobre as possibilidades e responsabilidades envolvidas na doação de órgãos, seja por indivíduos mais jovens ou mais velhos, promovendo uma cultura de saúde e solidariedade.
