Recentes ataques a sinais religiosos em várias partes do Brasil reacenderam o debate sobre a intolerância religiosa no país. No centro das atenções está uma série de ataques ocorridos na noite de 9 de setembro em Fortaleza, quando uma loja de artigos católicos foi alvo de um atentado com coquetel molotov e outros estabelecimentos religiosos também sofreram danos semelhantes.
Atos de intolerância sob investigação
Os ataques em Fortaleza estão sendo investigados pela Polícia Civil, e no dia seguinte, o Padre Josileudo Queiroz, da Igreja de São José Operário de Caucaia, usou as redes sociais para condenar os atos como crime de intolerância religiosa. Além dos eventos em Fortaleza, episódios semelhantes ocorreram em Londrina, no Paraná, e em Salvador, na Bahia, onde imagens sacras foram danificadas.
A ação das autoridades chegou ao nível federal quando o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal investigue uma possível onda de ataques direcionados a imagens católicas.
Crescimento das denúncias
O Disque 100, serviço nacional de denúncias, registrou um aumento significativo nas notificações de intolerância religiosa no primeiro semestre de 2026, com 1.252 denúncias, sendo que os ataques a religiões de matriz africana como candomblé e umbanda continuam predominantes. Essas religiões, embora representem apenas 1% da população, foram alvo de 270 denúncias no período, um aumento de mais de 40% em relação a 2025.
Entre os católicos, as notificações subiram mais de 100%, de 15 para 34 casos. Esse contexto motivou discussões durante a Semana Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Especialistas como Rudelmar Faria, da ACT Alliance, destacam que a instrumentalização da religião para fins excludentes é uma tendência preocupante em escala global.
Implicações legais
O crime de intolerância religiosa no Brasil é um ato grave, com penas que vão de um a cinco anos de reclusão e incluem multa. De acordo com o defensor público do Ceará, Igor Barreto, tais crimes são insuscetíveis de fiança e imprescritíveis, permitindo sua persecução a qualquer momento. Isto reflete a seriedade com que a legislação brasileira trata as violações à liberdade religiosa.
Recentemente, o debate sobre a presença religiosa nas esferas públicas se intensificou durante o período eleitoral, especialmente após postagens relacionadas a Nossa Senhora Aparecida e o candidato Flávio Bolsonaro. A Justiça Eleitoral precisou intervir, resultando na retirada de postagens que envolviam discussões sobre o título de padroeira do Brasil, como evidência de como a religião pode ser usada em disputas políticas.
