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Estudantes desempenham papel crucial na política do Brasil, afirma UNE

A União Nacional dos Estudantes (UNE) está promovendo uma mobilização massiva de estudantes em diversas cidades brasileiras em um período crítico para o país: o segundo turno das eleições presidenciais. Os estudantes estão retomando as ruas para defender a educação pública e a democracia, preocupados com os riscos que as instituições democráticas podem enfrentar dependendo do resultado eleitoral.

Estudantes e a história política do Brasil

Bianca Borges, presidente da UNE, destacou em entrevista à Agência Brasil a relevância histórica dos estudantes em momentos políticos cruciais. Ela lembrou a participação ativa dos estudantes contra a ditadura militar, pelo impeachment de Fernando Collor e nas recentes manifestações contra o governo Bolsonaro. Para Bianca, o cenário atual não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas do destino do país que está em questão, especialmente frente à possibilidade de um governo que pode representar retrocessos na educação e na democracia.

A líder estudantil explica que o movimento também está focado em resolver questões dos centros universitários como o subfinanciamento e a necessidade de suporte aos alunos de baixa renda. A UNE defende que a valorização da universidade pública e a democracia estão interligadas.

Recentemente, o TSE negou um pedido do candidato Flávio Bolsonaro para remover postagens feitas por dirigentes estudantis, um movimento que Bianca interpreta como uma tentativa de silenciar a voz estudantil.

Perfil de Bianca Borges

Bianca Borges, com 25 anos, é a atual presidente da UNE e possui um histórico de ativismo desde os 14 anos, quando já atuava no grêmio escolar. Estudante de letras no Instituto Federal de São Paulo, ela se tornou uma figura importante no movimento estudantil brasileiro após uma trajetória pela Universidade de São Paulo (USP) e em posições de liderança em órgãos estudantis.

Borges já liderou a União Estadual dos Estudantes de São Paulo em batalhas contra a privatização de escolas públicas e faz parte da Organização Latino-Americana e Caribenha de Estudantes, o que a coloca em uma posição de destaque na defesa dos direitos estudantis.

Motivações e desafios atuais

Ao falar sobre as motivações para os atos, Bianca cita a ameaça percebida de um governo autoritário sob a liderança de Flávio Bolsonaro, que pode implicar em retrocessos para a educação e retirada de direitos sociais. Ela ressalta que atos como o recente protesto na Candelária, no Rio de Janeiro, que reuniu milhares de estudantes, têm uma similaridade com manifestações históricas, como a Passeata dos 100 mil de 1968.

Os atos começaram logo após o primeiro turno, com intensas reuniões em universidades como a UFF, que se transformaram em manifestações de rua. Além dos universitários, estudantes secundaristas e grêmios escolares também se uniram fortemente ao movimento.

Futuros passos e recomendações

A UNE está planejando manter a mobilização além das eleições, independente do resultado do dia 25 de outubro. A entidade entende que a organização estudantil precisa permanecer ativa para lutar tanto por direitos como pela democracia, especialmente em caso de uma possível ascensão de Flávio Bolsonaro ao poder, o que Bianca considera perigoso.

A UNE defende o projeto do presidente Lula, que no passado ampliou significativamente o acesso ao ensino superior no Brasil, e critica propostas de Flávio Bolsonaro como a transferência das universidades para o MCTI, que detém menos recursos do que o MEC. Neste cenário, a UNE recomenda que os estudantes se mantenham organizados e engajados politicamente para garantir avanços que só serão possíveis com um governo compromissado com a educação e a democracia.