O governo brasileiro classificou como “injusta” a possível implementação de tarifas adicionais obscuras pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil. Este tema foi discutido em reunião de alto nível nesta terça-feira (14), um dia antes do prazo final para a decisão do governo norte-americano, liderado pelo presidente Donald Trump.
Crítica às tarifas
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) do Brasil divulgou uma nota destacando que esta foi a quinta reunião entre representantes brasileiros e norte-americanos desde 7 de maio. O comunicado sublinha que o governo do Brasil não encontra justificativa técnica nas recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para a imposição das novas tarifas.
As propostas incluem uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a uma investigação sobre trabalho forçado, abarcando 59 outras economias.
O Mdic enfatizou a postura brasileira contrária às medidas, afirmando que a aplicação de tarifas não é o melhor caminho para construir um acordo comercial benéfico para ambos os países.
Negociação mantida
Junto ao Mdic, representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Especial da Presidência participaram da discussão. A orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é preservar o diálogo com os Estados Unidos, visando uma solução negociada para evitar a aplicação das tarifas.
Nos bastidores, tem sido mencionado que embora a diplomacia inicial tenha registrado avanços, recentemente, a postura americana se tornou mais inflexível.
Investigação americana
A investigação que pode resultar nas tarifas é conduzida pelo USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O governo norte-americano acusa o Brasil de práticas comerciais que prejudicariam interesses americanos, citando áreas como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos como o Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e práticas ambientais.
O governo brasileiro defende que tais alegações não justificam as ações propostas pelos Estados Unidos.
Decisão iminente
O prazo para finalização da investigação e divulgação da decisão é nesta quarta-feira (15). Isso inclui a publicação da lista de produtos que potencialmente serão afetados pelas tarifas.
Entre os bens que podem ser impactados estão aeronaves, produtos agrícolas e insumos industriais.
Impacto esperado
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), aproximadamente 4,2 mil produtos brasileiros exportados para os EUA podem sofrer um impacto direto, representando cerca de US$ 15 bilhões em exportações do Brasil. Entre esses produtos estão itens como ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico.
Enquanto aguarda a decisão dos Estados Unidos, o governo brasileiro continua a defender uma resolução baseada no diálogo. No entanto, também considera a possibilidade de adotar medidas retaliatórias caso as tarifas entrem em vigor.
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Edição: Sabrina Craide
