No último sábado, 17 de outubro de 2026, uma ação significativa de empregabilidade foi realizada no centro de São Paulo, com o objetivo de oferecer suporte para refugiados e migrantes em busca de melhores condições de vida no Brasil. O evento, chamado “Conexões que Transformam”, foi organizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation. A iniciativa, voltada para aqueles que buscam inserção no mercado de trabalho ou desejam empreender, reuniu dezenas de participantes de diversos países.
Ação Beneficiou Cerca de 137 Migrantes
Entre os participantes estavam Victor Arce e Morelba Margarida Aquilar, casal venezuelano que se mudou para o Brasil há um ano. Victor, que trabalhou como marceneiro em seu país, agora busca maneiras de empreender e integrar-se ao mercado local. Assim como eles, outros 136 migrantes e refugiados, oriundos de 23 nações diferentes, estiveram presentes no evento. O encontro ofereceu workshops de empregabilidade e empreendedorismo, além de revisões de currículos e suporte com documentações necessárias para conseguir vagas de emprego.
A líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, Maria Helena Santuche, revelou que cerca de 70% dos participantes estavam desempregados. Segundo ela, a maioria deseja empreender devido à falta de oportunidades, mas encontram dificuldades devido ao empreendedorismo por necessidade.
O Papel do Evento na Integração dos Refugiados
O evento também contou com a presença de Flavio Simonato, diretor de Pessoas da Konecta Brasil, que enfatizou os objetivos da ação, incluindo atualização de currículos e preparação dos participantes para o mercado de trabalho no Brasil. Foram oferecidas também palestras sobre as peculiaridades do mercado de trabalho brasileiro e doações de cestas básicas e brinquedos para as crianças.
Eliane Franco Figueiredo, co-fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, destacou que muitos migrantes inscritos são originários de países como Venezuela, Congo e Haiti. Ela mencionou que muitas vezes pessoas qualificadas, como médicos, enfrentam problemas devido à demora na validação de seus diplomas no Brasil.
Desafios e Oportunidades para Refugiados no Brasil
Vivian Holzhacker, associada do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), apontou que mais de um milhão de refugiados estão atualmente no Brasil, provenientes de mais de 160 nacionalidades, com predominância de venezuelanos, cubanos e haitianos. Segundo ela, a primeira barreira enfrentada por eles é o idioma português, seguido pela necessidade urgente de trabalho e falta de uma rede de apoio.
A dificuldade com documentação também é um obstáculo comum. Muitos refugiados chegam ao Brasil sem documentos organizados ou traduzidos, dada a urgência de fuga de seus países de origem. Holzhacker enfatizou a importância de ações que ajudem na melhoria de currículos e possibilitem acesso a capacitações necessárias para se inserirem no mercado de trabalho brasileiro.
Outras Formas de Apoio aos Refugiados
Além da ação realizada, a plataforma Help da Acnur foi indicada como um recurso valioso, oferecendo acesso a informações sobre documentação, trabalho e outras formas de apoio. Nesse mesmo sentido, a Aliança Brasil Cidadã, conhecida por oferecer cursos de capacitação durante todo o ano, foi mencionada como um lugar onde refugiados e migrantes podem buscar auxílio contínuo.
