A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a apreensão de dois lotes do medicamento Ocrevus, conhecido cientificamente como ocrelizumabe, na concentração de 300 mg/10 ml. A medida ocorreu devido à distribuição irregular por uma empresa não autorizada no mercado farmacêutico brasileiro. A decisão foi formalizada nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, através de publicação no Diário Oficial da União.
Ocrevus e sua indicação
O Ocrevus teve seu registro aprovado pela Anvisa no ano de 2022. Este medicamento é indicado para pacientes que sofrem com esclerose múltipla em suas formas recorrentes e também na esclerose múltipla progressiva primária. Tais condições médicas afetam o sistema nervoso central, levando a uma variedade de sintomas que podem ser debilitantes.
Entretanto, a Anvisa foi informada sobre a distribuição desses lotes de Ocrevus em julho por meio da Laf Med Distribuidora de Medicamentos e Materiais Hospitalares Ltda. A empresa, porém, não possui a autorização legal para atuar no setor farmacêutico, já que sua Autorização de Funcionamento (AFE) está inativa desde outubro de 2025.
Procedência e riscos
Segundo a Anvisa, apesar de o Ocrevus ter sido fabricado de maneira regular pela empresa detentora do registro do medicamento, os lotes em questão eram destinados ao mercado internacional e não ao Brasil. Isso impede que se assegurem as condições sanitárias exigidas para a conservação e integridade do produto ao longo de toda sua cadeia de distribuição até chegar ao território brasileiro de forma inapropriada.
A Anvisa não só determinou a apreensão dos lotes como também proibiu uma série de atividades relacionadas a esses produtos. Isso inclui o armazenamento, venda, distribuição, exportação, importação, propaganda e transporte dos mesmos. Ainda segundo a agência, essa proibição é exclusivamente sob os dois lotes devido à sua origem irregular.
Histórico de irregularidades
Esta não foi a primeira vez que a Laf Med Distribuidora foi alvo de ações legais. A empresa já havia sido autuada anteriormente pela distribuição de medicamentos falsificados, situação que foi levada ao conhecimento das autoridades policiais.
Além disso, a Anvisa lançou uma resolução para o recolhimento de todos os medicamentos manipulados estéreis feitos pela ICT Farmacêutica Ltda. entre 31 de agosto a 2 de setembro de 2026. A suspensão foi motivada por deficiências críticas que comprometem a qualidade e segurança dos produtos.
Procurada pela Agência Brasil, a Roche Farma Brasil, detentora do medicamento Ocrevus, afirmou que as unidades apreendidas, com embalagens em idioma estrangeiro, não foram distribuídas por meio de sua rede autorizada no Brasil. A empresa destacou que a LAF Med Distribuidora não faz parte de sua rede qualificada e que a importação dos lotes para o Brasil não teve sua aprovação.
