O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha é celebrado neste sábado (25), destacando a importância da luta por direitos e empoderamento das mulheres negras em todo o continente. No Brasil, desde 2014, esta data também homenageia Tereza de Benguela, uma figura histórica simbolizando resistência e liderança.
A História de Tereza de Benguela
Durante o século 18, Tereza de Benguela assumiu a liderança do Quilombo do Quariterê, localizado no Mato Grosso, após a morte de seu marido, José Piolho, assassinado por forças militares. Sob o comando de Tereza, a comunidade, composta por mais de 100 pessoas entre negros e indígenas, resistiu bravamente à escravidão por duas décadas, até 1770. Fato curioso é que Tereza, também reverenciada como “rainha Tereza”, governava através de um sistema similar a um Parlamento, onde as decisões eram tomadas de maneira coletiva.
A incerteza quanto ao local de nascimento de Tereza, seja no Brasil ou em alguma região africana, e as circunstâncias de sua morte — se em combate ou posteriormente — não ofuscam seu legado de resistência. Suas ações marcaram profundamente a história das mulheres negras no Brasil, tornando-se um símbolo de força e resiliência.
O Clamor por Titulação de Terras
Selma Dealdina Mbaye, representante da Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas, enfatiza a urgência em se reconhecer legalmente as terras quilombolas. Ela argumenta que os território quilombolas são majoritariamente habitados por mulheres, que enfrentam a realidade de grilagem, exploração e violências diversas. “No Brasil, existem mais de 8 mil quilombos, ocupando mais de 1,3 milhão de pessoas em 1,7 mil municípios, e é crucial proteger e titular essas terras”, destaca.
Comemorações e Mobilizações
Desde 2014, o dia 25 de julho é oficializado como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, conciliando-se com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que teve origem em 1992, em um encontro significativo ocorrido na República Dominicana, onde mais de 30 países representados discutiram o racismo e a desigualdade enfrentada por essas mulheres.
No Brasil, o Julho das Pretas é uma iniciativa do Instituto Odara, articulando diversas ações ao longo do mês. Em 2026, a 14ª edição do evento coordena mais de 600 ações, envolvendo quase 300 grupos em todo o país.
Dentre as atividades, uma das mais impactantes é a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, que também cobra justiça para Luana Barbosa, morta em um episódio de violência policial há dez anos.
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