Em uma decisão que promete impulsionar o agronegócio brasileiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma linha de crédito de R$ 10 bilhões destinada a tecnologias inovadoras desenvolvidas no Brasil. A iniciativa visa modernizar o campo, elevando a produtividade e a sustentabilidade do setor. A medida foi aprovada em reunião extraordinária nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026.
Quem poderá contratar
A nova linha de crédito estará acessível para um público diversificado dentro do agronegócio, incluindo:
- Produtores rurais individuais e empresariais;
- Cooperativas de produção agropecuária.
Uma novidade relevante é a inclusão de produtores rurais pessoas físicas, que, frequentemente, encontram barreiras para acessar financiamentos voltados à inovação. Cada interessado poderá contratar até R$ 30 milhões.
Como funcionará
A operação não será realizada diretamente pelo governo federal. Os R$ 10 bilhões virão de excedentes do superávit financeiro do governo, o que evitará impactos no orçamento federal. O crédito será oferecido por bancos públicos, de desenvolvimento e outras instituições financeiras credenciadas pela Finep — a Financiadora de Estudos e Projetos responsável por fomentar a inovação.
Produtores interessados deverão procurar essas instituições para solicitar o financiamento. A Finep publicará uma lista específica de equipamentos e projetos que poderão ser contemplados, disponível no site da instituição.
O que poderá ser financiado
A linha foi criada para acelerar a modernização das propriedades rurais por meio de tecnologias brasileiras. Entre as áreas que poderão receber investimentos, destacam-se:
- Agricultura de precisão;
- Máquinas e equipamentos automatizados;
- Conectividade no campo;
- Digitalização da produção;
- Tecnologias para uso eficiente de fertilizantes, defensivos e água;
- Sistemas de rastreabilidade da cadeia produtiva.
Esses investimentos são esperados para elevar a produtividade, diminuir desperdícios e promover práticas agrícolas mais sustentáveis.
Juros e prazo
A linha de crédito oferecerá um prazo de até cinco anos para pagamento, sem período de carência, com parcelas anuais. A composição dos juros inclui a Taxa Referencial (TR) somada a uma remuneração da Finep de 3% ao ano e a margem da instituição financeira, que será limitada a 4% ao ano. Assim, os encargos podem atingir 7,12% ao ano, dependendo do banco.
O risco de não pagamento ficará inteiramente com o banco que oferecer o crédito, isentando o governo dessa responsabilidade.
De onde vem o dinheiro
Os recursos de R$ 10 bilhões para essa iniciativa emergem do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), uma das principais ferramentas do governo federal para apoiar avanços em ciência, tecnologia e inovação.
O que é o CMN
O Conselho Monetário Nacional (CMN) é o organismo encarregado de estabelecer políticas econômicas, incluindo aquelas relacionadas a moeda, câmbio e crédito no Brasil. O conselho é composto atualmente por Dario Durigan, ministro da Fazenda, atuando como presidente, junto ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.
Com a resolução publicada, as operações da nova linha de crédito poderão iniciar imediatamente através das instituições financeiras credenciadas pela Finep.
