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Investigação das mortes na Operação Contenção segue um ano depois

Quase um ano após a Operação Contenção, que ocorreu em 28 de outubro de 2025 nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, as investigações sobre as mortes resultantes da operação ainda estão em andamento. Com um saldo de 121 mortes, incluindo cinco policiais, esta ação se tornou a mais letal da história do estado, segundo as autoridades policiais.

Detalhes da Operação

A incursão, caracterizada como uma “megaoperação”, tinha como objetivo capturar líderes criminosos do Comando Vermelho e foi marcada por intensos confrontos armados nas comunidades. O número inicial de mortos entre os agentes de segurança foi de quatro, mas mais tarde subiu para cinco, com a morte de um policial internado no mês seguinte. Em contrapartida, a polícia afirma que os 117 indivíduos não pertencentes ao corpo policial morreram durante tiroteios. No entanto, moradores e familiares das vítimas relataram possíveis atos de tortura e execução durante a operação.

Investigação em Andamento

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), juntamente com a polícia Civil e Federal, ainda busca esclarecer as circunstâncias dessas mortes. O Promotor de Justiça Fabio Correa está à frente do Procedimento Investigatório Criminal que examina esses eventos. O MPRJ já ouviu 255 policiais e 61 detidos durante a ação, além de 45 familiares das vítimas. As evidências incluem dados das necropsias realizadas pelo Instituto Médico-Legal (IML) e cerca de 4 mil horas de gravações de câmeras corporais, embora nem todas as ações tenham sido registradas devido ao esgotamento das baterias.

Incidentes Atípicos e Desvios

Dentre os casos mais singulares apontados na investigação estão uma morte por disparos a curta distância e uma decapitação. Apesar do progresso, não foi possível realizar a perícia completa no local dos crimes, o que dificulta o entendimento das circunstâncias desses atos. Durante a operação, também foram constatados desvios de conduta, como o desligamento proposital de câmeras e o furto de bens apreendidos. O MPRJ já denunciou 28 policiais por crimes variados, incluindo furtos e abusos contra moradores.

Questões de Direitos Humanos

Em março de 2026, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) publicou um relatório detalhando problemas na execução e apuração da operação. A comissão criticou a tática empregada, que bloqueou áreas inteiras, gerando um uso desproporcional da força policial e resultando em uma discrepância notável no número de baixas entre policiais e suspeitos. As ações das autoridades após a operação também receberam críticas, incluindo restrições de acesso a documentos para a avaliação pericial por parte da Defensoria Pública. Estas e outras ações levantam dúvidas sobre a eficácia e a integridade do processo investigativo no Rio de Janeiro.

Situação Atual nas Comunidades

Apesar da intensidade e dos objetivos declarados da operação, especialistas afirmam que práticas de controle territorial armado, como as do Comando Vermelho, permanecem inalteradas. Segundo testemunhas e pesquisadores, a operação, além de não alterar a dinâmica criminosa local, deixou um legado de traumas nos residentes das favelas, que continuam expostos a rotinas violentas. Críticos argumentam que as ações de segurança pública falharam em oferecer soluções de longo prazo. O resultado teria sido um desastre logístico e humanitário, desencadeando traumas permanentes nas comunidades afetadas e levantando questionamentos sobre a política de segurança no estado.