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Pressão cultural e social leva aumento de cesarianas entre mulheres

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) destaca que no Brasil, o elevado número de cesarianas não é simplesmente uma escolha das gestantes, mas sim resultado de um conjunto de fatores psicológicos, sociais e estruturais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cesariana deve representar até 15% dos nascimentos devido aos riscos associados com o procedimento. No entanto, no Brasil, esta cirurgia é utilizada em mais de 60% dos partos, chegando a 90% na rede privada, colocando o país entre os três com as maiores taxas de cesáreas do mundo.

Influências Econômicas e Psicológicas

O estudo da Unicef teve como base uma pesquisa anterior de 2014 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que indicou que 70% das gestantes no início da gravidez desejavam um parto normal. No entanto, muitos fatores surgem durante a gestação que levam à escolha pela cesariana. O Unicef ouviu 94 gestantes e puérperas e 37 profissionais de saúde nas cidades de São Paulo e Belém, identificando que tanto influências positivas quanto barreiras afetam a escolha do tipo de parto.

Entre as razões econômicas e psicológicas, as gestantes optam pelo parto normal devido à recuperação mais rápida, mas o medo da dor as leva a considerar a cesariana. As experiências de mães, avós e familiares desempenham um papel importante nesta decisão, embora muitas vezes esses relatos incluam episódios de violência obstétrica, que fortalecem o medo do parto normal.

Stephanie Amaral, especialista do Unicef, aponta que para algumas mulheres que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS), a necessidade de uma recuperação rápida devido à falta de suporte doméstico influencia na escolha pelo parto normal. No entanto, na rede privada, a falta de uma rede de apoio não é vista como um obstáculo pela maioria das gestantes.

Preparação para o Parto

A falta de informações e preparação adequada para o parto figura como uma barreira no sistema público. As gestantes frequentemente não têm conhecimento sobre a possibilidade de elaborar um plano de parto, e muitas vezes o pré-natal não fornece informações detalhadas. Isso agrava o sentimento de impotência entre as futuras mães, contrastando com aquelas da rede privada que, por outro lado, costumam estar mais bem preparadas.

No setor privado, a falta de acesso à analgesia é menos comum, enquanto no público tal recurso é restrito. Stephanie Amaral ressalta a importância da analgesia como uma questão de dignidade para enfrentar um evento tão imprevisível quanto o parto.

Recomendações do Unicef

O Unicef propõe uma série de recomendações para enfrentar essas questões, incluindo a expansão da oferta de analgesia e de outros métodos para alívio da dor, e a melhoria do pré-natal com informações claras sobre o parto. Isso inclui orientações sobre o planejamento reprodutivo e a inclusão dos parceiros no processo para apoiar melhor a gestante.

Outras propostas incluem a mobilização de redes de apoio familiares e a revisão de modelos que favoreçam cesarianas sem necessidade médica. Essas ações buscam garantir uma experiência de parto positiva e respeitosa, que valorize os direitos e decisões das mulheres.

O Unicef lançou a campanha “Parto normal. Uma escolha que merece respeito”, para promover a reflexão sobre as pressões sociais que afetam as escolhas das gestantes, enfatizando que o parto deve ser uma experiência positiva e transformadora.