A alopecia areata, uma condição autoimune que leva à perda de cabelo e pode impactar profundamente a autoestima dos pacientes, afeta cerca de 2% da população mundial. Durante o mês dedicado à conscientização sobre a enfermidade, a Agência Brasil traz depoimentos de pessoas que vivem esta realidade, buscando inspirar e informar sobre os desafios e as formas de lidar com essa condição.
Entendendo a alopecia areata
A alopecia areata se manifesta quando o sistema imunológico ataca os folículos pilosos de forma inexplicável, resultando na queda de cabelo. Esta queda pode se dar em ciclos e afetar não só o couro cabeludo, mas, em casos mais extremos, todos os pelos do corpo. A dermatologista Enilde Borges Costa, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que o diagnóstico é feito clinicamente, observando-se áreas sem pelos ou realizando testes simples, já que exames laboratoriais não são eficazes na detecção da doença.
Existem três formas principais de manifestação: a queda em pequenas áreas, a perda total do cabelo no couro cabeludo e a perda de todos os pelos do corpo, conhecida como alopecia areata universal.
Conexões emocionais e tratamentos
A alopecia areata tem componentes genéticos e, embora não seja psicossomática, pode ser desencadeada por fatores como estresse e doenças infecciosas. Beatriz Santos, que começou a sofrer com a doença ainda na adolescência, teve dificuldades ao perceber que os médicos associavam sua condição a fatores emocionais, sem sucesso no diagnóstico ou tratamento.
Beatriz tentou o tratamento com corticoides, mas interrompeu o uso ao perceber os efeitos colaterais como osteopenia. A dermatologista Enilde Borges Costa explica que, apesar de os corticoides serem comuns no tratamento, eles precisam ser monitorados devido aos efeitos colaterais, incluindo a perda de densidade óssea.
Após quatro anos da primeira manifestação, Beatriz perdeu todos os cabelos, mas aprendeu a conviver com a doença através de maquiagem, terapia e desenvolvendo outras áreas de sua vida. Este processo ofereceu a ela uma perspectiva mais rica e completa.
Grupos de apoio e aceitação
Para oferecer suporte emocional, Enilde Borges Costa criou o Alopecia Areata Grupo de Apoio (AAGAP), que promove encontros mensais em São Paulo e mantém um diálogo constante por meio de grupos de Whatsapp. Juliana Fernandes, que participa do grupo há mais de duas décadas, compartilha uma experiência semelhante à de Beatriz. Após perder os cabelos na adolescência, investiu em várias terapias sem sucesso, até encontrar conforto no apoio psicológico e grupal.
O apoio emocional também se estende a famílias, como no caso de Regina Ramos, mãe de um adolescente com alopecia, e Paloma Monteiro da Lava, que é mãe do pequeno Levi. Ambas optaram por focar na autoestima e no bem-estar emocional de seus filhos, acreditando que abraçar a diferença e promover a resiliência são fundamentais.
Rumo ao reconhecimento legal
Na esfera legislativa, o Projeto de Lei 801/2022 busca incluir a alopecia areata no Estatuto da Pessoa com Deficiência. Enquanto alguns argumentam a favor do projeto por trazer mais direitos e visibilidade, outros, como Beatriz e Juliana, veem a condição apenas como uma alteração estética, que não limita sua participação social.
Independente das discussões legais, a história de quem convive com a alopecia areata reflete uma luta contínua por reconhecimento, aceitação e, sobretudo, por uma vida plena, pautada pela diversidade e pelo respeito às diferenças.
