As vendas de títulos públicos a pessoas físicas, intermediadas pelo programa Tesouro Direto, registraram o segundo maior resultado de sua história em junho, conforme comunicado do Tesouro Nacional nesta terça-feira, 28 de julho de 2026. Neste período, o volume negociado de títulos alcançou a marca de R$ 14,76 bilhões, impulsionado principalmente pelo lançamento do título Tesouro Reserva.
Crescimento nas Vendas
Ainda que o volume de junho não supere o recorde de março de 2026, quando as vendas somaram ligeiramente mais, com R$ 14,79 bilhões, o desempenho do mês passado é notavelmente expressivo. Comparando com maio de 2026, o crescimento nas vendas foi de 44,51%; em relação a junho de 2025, o aumento foi ainda mais significativo, atingindo 156,03%.
O destaque do mês foram os títulos vinculados aos juros básicos, que representaram 54,5% das vendas totais. As Letras Financeiras do Tesouro (LFT), uma modalidade tradicional de investimentos, totalizaram R$ 4,16 bilhões, o que configura 28,2% do total. Já o novo título Tesouro Reserva, que ganhou popularidade pela sua semelhança com as caixinhas de bancos digitais, totalizou R$ 2,09 bilhões, ou 14,2% das vendas.
Os títulos corrigidos pela inflação, atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), compuseram 34,3% do total. Os papéis prefixados, com juros estabelecidos no momento de sua emissão, foram responsáveis por 16,7% das vendas. Outros títulos, como o Tesouro Renda+ e o Tesouro Educa+, também foram negociados, porém em menor quantidade.
Motivações dos Investidores
A elevada Taxa Selic, atualmente em 14,25%% ao ano, exerce considerável influência sobre o interesse dos investidores. Com os juros altos, os papéis são vistos como opções atraentes. Além disso, a perspectiva de alta na inflação tem reforçado o apelo dos títulos indexados a índices de preços.
O estoque do Tesouro Direto, ou seja, o total de títulos em circulação, chegou a R$ 262,47 bilhões ao final de junho. Este valor representa uma alta de 4,57% em relação ao mês anterior e um expressivo aumento de 45,53% quando comparado a junho do ano passado. O crescimento é resultado tanto da correção dos juros quanto das vendas superando os resgates em R$ 10,1 bilhões.
Perfil dos Investidores
No mês de junho, 261.877 novos investidores passaram a integrar o programa. Assim, o total de contas cadastradas alcançou 35.853.678. Desse conjunto, 3.689.486 investidores estavam ativos, realizando operações, o que configura um aumento de 21,19% em um ano.
A maioria das transações, aproximadamente 75,4%, envolveu valores de até R$ 5 mil, um sinal do crescente uso do Tesouro Direto por pequenos investidores. Os investidores também demonstraram uma preferência por títulos de médio prazo, entre cinco e dez anos, que corresponderam a 45,7% das operações.
Funcionamento do Tesouro Direto
Lançado em janeiro de 2002, o Tesouro Direto tem como principal objetivo democratizar o acesso a títulos públicos, permitindo que qualquer pessoa física adquira esses papéis pela internet. Essa aquisição pode ser feita diretamente, sem a necessidade de intermediários financeiros, o que torna o processo mais acessível. Ainda assim, uma taxa para a B3, a bolsa de valores do Brasil, é cobrada em cada movimento. Mais detalhes estão disponíveis no site do Tesouro Direto.
O governo utiliza a venda desses títulos como uma ferramenta para captar recursos a fim de quitar suas dívidas e atender compromissos financeiros. Em contrapartida, compromete-se a reembolsar o investidor com um adicional, que pode ser determinado pela Selic, por índices de inflação, câmbio ou taxas pré-fixadas.
