Na última quinta-feira (9 de setembro), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) prestou uma comovente homenagem póstuma a 23 estudantes e outros membros da comunidade acadêmica que foram vítimas da repressão da ditadura militar. Eles receberam diplomas de graduação, reconhecendo, assim, a trajetória interrompida pelo regime autoritário. A solenidade buscou não apenas salvar a memória dessas vítimas, mas também preencher uma dívida histórica com seus familiares.
Reparação simbólica
Entre os homenageados estava Fernando Augusto da Fonseca, um estudante de economia que foi brutalmente capturado, torturado e morto em 1973, em uma tentativa de escapar da repressão. Ele foi expulso da UFRJ devido à sua militância. Os eventos de sua detenção foram trágicos, pois também resultaram na prisão temporária de sua esposa grávida e de seu filho pequeno.
Na cerimônia, o filho de Fernando, André Luiz Araújo da Fonseca, recebeu o diploma em nome de seu pai. Ele descreveu a ocasião como a realização de um sonho para Fernando e a conclusão simbólica de um ciclo interrompido pela violência estatal. Em palavras emocionadas, André afirmou que essa homenagem é a mais significativa entre as muitas já recebidas pelo pai.
Memória e resistência como ferramenta educativa
A cerimônia foi marcada por fortes discursos que reforçaram a importância da memória coletiva. O reitor da UFRJ, Roberto de Andrade Medronho, destacou que o evento simboliza um compromisso com a memória, a verdade e a justiça. Medronho enfatizou que recordar o passado é essencial para a proteção da democracia e para assegurar que tragédias como essas não se repitam.
Franklin Martins, ex-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ, relembrou o papel crucial do movimento estudantil na resistência à repressão, mencionando a coragem de estudantes e professores em desafiar a opressão, mesmo sob risco de violência extrema.
Nomes eternizados
Antes dos 23 diplomas conferidos recentemente, já havia ocorrido uma homenagem em julho de 2026 para Stuart Angel Jones, outro estudante de economia que foi brutalmente torturado e morto. A entrega foi feita diretamente para sua irmã, Hildegard Angel, pelo reitor Medronho.
Os nomes dos estudantes homenageados foram identificados por meio de uma investigação realizada pela Comissão da Memória e da Verdade da UFRJ, utilizando os relatórios oficiais do país como base. A lista completa dos homenageados inclui figuras como Adriano Fonseca Fernandes Filho, Flávio Carvalho Molina e Antônio Sérgio de Matos, entre outros.
Além dos estudantes, dois professores, Lincoln Bicalho Roque e Raul Amaro Nin, tiveram seus marcos e legados acadêmicos reconhecidos. O evento, além de honrar as vítimas da ditadura, também serve de inspiração para que outras instituições sigam esses passos, preservando a memória e promovendo a luta contínua pela democracia e justiça.
